Hoje é dia de aniversário
do teu aniversário, meu pai
dia em que se completam os teus 83 anos
Todavia, a tua ausência
faz-se sentir nesta Terra-Longe.
Veio-me à memória,
no tempo que era menino,
o dia em que viajaste para a Ilha Brava
e pensando quis,
furar o retrato em que encaras
o mundo com um semblante circunspecto,
para contigo poder permanecer.
Hoje,
não vou perfurar o retrato
porque no tempo em que estamos
contemplo esta medida arbitrária da duração das coisas
este processo de produção de imagens através da fixação da luz:
olhando para ti
para a tua imagem reproduzida pela fotografia
sinto radiosamente o teu olhar luminoso.
Meu pai
Hoje
Não tem presente, não
Hoje tem a tua recordação
Como se presente estivesses.
18 de Maio de 2011
João Mariano
quarta-feira, maio 25, 2011
sexta-feira, maio 13, 2011
Crache
Tenho a cabeça a estourar
e de tanto zumbir
que o peito apertando com tanta gravidade
que mais parece estrela de neutrões
Nada mais faz sentido
tenho dificuldade em caminharas pernas não executam a ordem
não querem obedecer
porque nada há a cumprir
Sem agrado nesta rotina que me prende
arrasto-me dentro de mime nesta náusea que eu próprio criei
sufocando me vou afundando
Onde está a luz
que me encanta e ilumina?Anseio por ela…
Padeço por ela…Suplicando te peço:
tira-me deste sono com o teu sorrisoe na matinal manhã com o teu jeito
levemente passa a tua mão quente
sobre o meu peito.
Onde está a luz
que me encanta e ilumina?Anseio por ela…
Padeço por ela…Queluz, 13 de Maio de 2011
João Mariano
segunda-feira, maio 09, 2011
Uma andorinha na primavera
Uma andorinha na primavera
um bando delas no meu quintal
um voo a pique descendo o penhasco
A nuvem escura pairando no céu
escondendo o Sol, anunciando tempestade
rajadas furiosas batendo na parede branca
a árvore com as raízes de fora da terra
revelando a morte anunciada
Uma andorinha na primavera
um bando delas no meu quintal
um voo a pique descendo o penhasco
O cansaço da rotina
o desespero da velocidade do tempo
o choque eléctrico provocado
pelo ribombar dos trovões
um voo a pique descendo o penhasco
nesta estiagem em que o vento frio
trespassa a fresta da janela
penetrando como pequena peça metálica
nas mãos de soldados indisciplinados
um voo a pique descendo o penhasco
um bando delas no meu quintal
um voo a pique descendo o penhasco
A nuvem escura pairando no céu
escondendo o Sol, anunciando tempestade
rajadas furiosas batendo na parede branca
a árvore com as raízes de fora da terra
revelando a morte anunciada
Uma andorinha na primavera
um bando delas no meu quintal
um voo a pique descendo o penhasco
o desespero da velocidade do tempo
o choque eléctrico provocado
pelo ribombar dos trovões
Uma andorinha na primavera
um bando delas no meu quintalum voo a pique descendo o penhasco
O berço às avessas
e a rua estreita que termina em beconesta estiagem em que o vento frio
trespassa a fresta da janela
penetrando como pequena peça metálica
nas mãos de soldados indisciplinados
Uma andorinha na primavera
um bando delas no meu quintalum voo a pique descendo o penhasco
Pedrobala
quinta-feira, maio 05, 2011
Máquina Ácida
Vem ter comigo sou a máquina ácida
desiste dos campos em flor
desmembra-te dos rios, cujas margens os afrotam
renuncia ao teu aspecto natural
a velha máquina que cheira a óleo
a petróleo e a gasolina
na certeza que teus passos imundos
caminharão por linhas rectas
e ângulos agudos sem máculas
nesta cavidade
nunca terás dúvidas, nem receios
passarás a ser dúctil e maleável
porque a tua vida será um número binário
a velha máquina que cheira a óleo
a petróleo e a gasolina…
Pedrobala
desiste dos campos em flor
desmembra-te dos rios, cujas margens os afrotam
renuncia ao teu aspecto natural
Vem, fica comigo
sou a máquina com artifíciosa velha máquina que cheira a óleo
a petróleo e a gasolina
Regressa filho pródigo
aos meus braços de ferro e açona certeza que teus passos imundos
caminharão por linhas rectas
e ângulos agudos sem máculas
Regressa meu louco perdulário
ao meu ventre de fios de cobrenesta cavidade
nunca terás dúvidas, nem receios
passarás a ser dúctil e maleável
porque a tua vida será um número binário
Vem, fica comigo
sou a máquina com artifíciosa velha máquina que cheira a óleo
a petróleo e a gasolina…
Pedrobala
quarta-feira, abril 20, 2011
TROIKA
Quem és tu
que implantado em ti
recebes como preço
a trindade santíssima?
Quem és tu triunvirato?
Acaso serás Júlio, o César?
Pompeu, o Grande ou Marco, o Crasso?
Quem és tu?
Acaso serás aquele país
onde a vida é um grande deslumbramento?
Que missão alinhada
tinges na tua persona?
Porque colocas no corpo do outro
a roupa que o deve cobrir?
João Mariano
quarta-feira, março 30, 2011
Pedra solta
I
Foi um caminho longo
sem pausas e de costas voltadas
nada fazia prever o sentido
embora no rumo das estradas
tocasse apenas um hino decadente.
II
Estranhas e velhas as cantigas
em dissonantes notas
ecoando em paredes antigas
cujo destino não foi traçado
nas estrelas longínquas
mas no chão batido e pisado
da terra que não pariu.
III
Agora, desconcertante, surge o passado
esse tempo que não é estático
que surpreende sem aviso prévio
como se fosse navio sem rumo
procurando sem encontrar
a enseada d’areia branca da sua âncora.
Na terra que não pariu
o chão batido e pisado não floriu.
João Mariano
Foi um caminho longo
sem pausas e de costas voltadas
nada fazia prever o sentido
embora no rumo das estradas
tocasse apenas um hino decadente.
II
Estranhas e velhas as cantigas
em dissonantes notas
ecoando em paredes antigas
cujo destino não foi traçado
nas estrelas longínquas
mas no chão batido e pisado
da terra que não pariu.
III
Agora, desconcertante, surge o passado
esse tempo que não é estático
que surpreende sem aviso prévio
como se fosse navio sem rumo
procurando sem encontrar
a enseada d’areia branca da sua âncora.
Na terra que não pariu
o chão batido e pisado não floriu.
João Mariano
quarta-feira, março 23, 2011
Docemente para ti
meu amor
por estar preso
a esta cadeia de ferro,
que me veda
de ir ao teu encontro,
mas não impede
o desejo de ser contigo intensamente,
apenas sei, ó minha primavera,
que sem ti a luz já não existe.
Todavia,
nesta penumbra meio esquecida
da vela de estearina que me ilumina
anseio o cume extenso
em que o nosso amor se aninha.
João Mariano
meu amor
por estar preso
a esta cadeia de ferro,
que me veda
de ir ao teu encontro,
mas não impede
o desejo de ser contigo intensamente,
apenas sei, ó minha primavera,
que sem ti a luz já não existe.
Todavia,
nesta penumbra meio esquecida
da vela de estearina que me ilumina
anseio o cume extenso
em que o nosso amor se aninha.
João Mariano
sexta-feira, março 18, 2011
Pequena estrela do nosso jardim ou Silêncio
Nesta área plana
coberta de areia ou de pequenos seixos
que confina com o mar
a tarde caiu e com o aproximar da noite
surgiste distante e formosa
balançando suavemente o corpo
como embarcação de pequenas dimensões e sem coberta.
Nossos olhos cruzaram-se reciprocamente.
Como corpos marinhos
ligados ao oceano, estrela do nosso jardim,
mergulhamos
na grande massa e extensão de água salgada
abraçados, sem bulício e sem sons dissonantes
contemplando a esfera celeste
e assim recolhidos ficamos
como se tivéssemos cessado de falar
ou de produzir qualquer som.
Nossos lábios uniram-se
e na maré cheia a lua nasceu.
João Mariano
http://www.youtube.com/watch?v=F4y90M9-tP8
coberta de areia ou de pequenos seixos
que confina com o mar
a tarde caiu e com o aproximar da noite
surgiste distante e formosa
balançando suavemente o corpo
como embarcação de pequenas dimensões e sem coberta.
Nossos olhos cruzaram-se reciprocamente.
Como corpos marinhos
ligados ao oceano, estrela do nosso jardim,
mergulhamos
na grande massa e extensão de água salgada
abraçados, sem bulício e sem sons dissonantes
contemplando a esfera celeste
e assim recolhidos ficamos
como se tivéssemos cessado de falar
ou de produzir qualquer som.
Nossos lábios uniram-se
e na maré cheia a lua nasceu.
João Mariano
http://www.youtube.com/watch?v=F4y90M9-tP8
Finge que te conheces a ti próprio e serás feliz!
O Sócrates, não o filósofo ateniense, que se dedicava à maiêutica (parto das ideias) dos cidadãos de Atenas, levando-os a colocar em causa os seus juízos de valor acerca de determinado assunto, conduzindo-os a novas ideias do tema em discussão, mas, o José, o engenheiro, pertence a uma geração, que quer ser e não é limpa. É assética. Aparenta ser e não é ambientalista, utiliza veículo automóvel eléctrico para o retrato, é dada ao exercício físico para adquirir dotes físicos e não refresca as ideias morais, éticas e intelectuais. Gosta de gente bonita por dentro (?) e frequenta as passarelas da moda, tem o capricho da educação e a prática dos usos da gente fina, mas não tem instrução, polidez e cortesia.
É uma geração que se vale de uma concepção do ser, que lhe dá armas argumentativas para embaraçar e colocar em contradição os seus oponentes, validando a sua actividade de mago das palavras, de criador de imagens e simulacros daquilo que será o bom, o belo e o justo funcionamento da cidade e do cidadão.
Finge que te conheces a ti próprio e serás feliz!
João Mariano
É uma geração que se vale de uma concepção do ser, que lhe dá armas argumentativas para embaraçar e colocar em contradição os seus oponentes, validando a sua actividade de mago das palavras, de criador de imagens e simulacros daquilo que será o bom, o belo e o justo funcionamento da cidade e do cidadão.
Finge que te conheces a ti próprio e serás feliz!
João Mariano
sexta-feira, fevereiro 25, 2011
Brando murmúrio
Esta camada superficial do solo
terra árida e impaciente
não é maior
que a pupila dos meus olhos:
tem a grandeza
da tua inquietação e das tuas revoltas.
Crispando as mãos à beira-mar
senti saudades tuas,
dos teus olhos, vivas opalas,
do teu ar de triunfo iluminado com que andas
por terras com bosques de névoa
rios de prata e montanhas de ouro.
Hoje crispei as mãos à beira-mar
e por minh’alma vai passando
tal como em seu apartamento,
uma gata de todo encantamento
e de inaudito murmúrio brando.
Assim pensando fui ficando
porque a noite surgiu
brilhando em teus olhos
a clara noite nasceu
nasceu como folha de papel em branco
levada por ondas brancas d’areia…
Olhos teus… Olhos meus?
Pedrobala
terra árida e impaciente
não é maior
que a pupila dos meus olhos:
tem a grandeza
da tua inquietação e das tuas revoltas.
Crispando as mãos à beira-mar
senti saudades tuas,
dos teus olhos, vivas opalas,
do teu ar de triunfo iluminado com que andas
por terras com bosques de névoa
rios de prata e montanhas de ouro.
Hoje crispei as mãos à beira-mar
e por minh’alma vai passando
tal como em seu apartamento,
uma gata de todo encantamento
e de inaudito murmúrio brando.
Assim pensando fui ficando
porque a noite surgiu
brilhando em teus olhos
a clara noite nasceu
nasceu como folha de papel em branco
levada por ondas brancas d’areia…
Olhos teus… Olhos meus?
Pedrobala
terça-feira, fevereiro 22, 2011
“O amor é paciente, o amor é prestável, não é invejoso, não é arrogante nem orgulhoso, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita nem guarda ressentimento. Não se alegra com a injustiça, mas rejubila com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais passará.” – S. Paulo, Epístola aos Coríntios
A.môr
Amor
Devoção iluminada
afeto profundo
terno e calorosoterra sagrada
minha realidade essencial
como aquele que foi iniciado
na filosofia do amor maior
pela sacerdotisa Diotima de Mantinea
Amor terreno, amor d’alma
os dois em simultâneo
porque ambos
contêm e compõe o conhecimento
Este amor que não é abstracto
este amor que não é sem forma
este amor que não é sem cor
sem tamanho ou textura
é por si só
o nosso sentimento inicial
Eis o triângulo amoroso:
na intimidade da nossa interioridade
na paixão correspondida
no compromisso altruísta
Esse estado de encantamento
da neurobiologia das correntes eléctricas
que percorrem o cérebro
libertando
dopamina e a sua euforia
adrenalina e a sua excitação
endorfina e a sensação de felicidade e bem estar
Esse estado impulsivo
sem inibição
fora do controlo racional
de intoxicação cerebral
que desafia
o desejo sensual e as saudades
e que incita à contemplação…
Amor o nosso sentimento inicial!
João Mariano / 22 de Fevereiro de 2011
quinta-feira, fevereiro 03, 2011
terça-feira, fevereiro 01, 2011
Não é Elizabeth
Não é Elizabeth
como na língua inglesa
é Isabel
como no castelhano
ou Isabelle, dize o francês
Isabella, afirma o italiano
Não me fico
sou inquieto
porquê?
És tu
húngaro?
Não entendo
o polonês ou polaco?
Diz
Izabela
Isabel
horizonte meu
beijo teus pés longínquos
Mulher
da dor renascida
a flor em ti crescida
brota tal qual sabedoria
nas escassas laranjeiras
e ressacando nas vermelhas papoilas
que se alevantam
a Lua vagueando no nosso horizonte…
É a ti
Isabel, meu doce amor,
que consagro esta oferenda,
pequeno fio d’ água
passando ao longo
do rio do teu corpo…
Foi a Lua vagabunda do
espaço
segredando contou-me:
não procures estrelas no
céu
invoca Isabel
pois ela é a tua
Estrela.
João Mariano
como na língua inglesa
é Isabel
como no castelhano
ou Isabelle, dize o francês
Isabella, afirma o italiano
Não me fico
sou inquieto
porquê?
És tu
húngaro?
Não entendo
o polonês ou polaco?
Diz
Izabela
Isabel
horizonte meu
beijo teus pés longínquos
Mulher
da dor renascida
a flor em ti crescida
brota tal qual sabedoria
nas escassas laranjeiras
e ressacando nas vermelhas papoilas
que se alevantam
a Lua vagueando no nosso horizonte…
É a ti
Isabel, meu doce amor,
que consagro esta oferenda,
pequeno fio d’ água
passando ao longo
do rio do teu corpo…
Foi a Lua vagabunda do
espaço
segredando contou-me:
não procures estrelas no
céu
invoca Isabel
pois ela é a tua
Estrela.
João Mariano
quinta-feira, dezembro 30, 2010
Meu Doce
Tu és
eu não sou
E neste todo
deixo de não ser
porque tu és
Tu és
porque em ti
existe um sentido
e nesse sentido
que tudo é
Tu és
Eu não sou
Tu és o rumo de ti própria
Eu não sou!
Pedrobala
eu não sou
E neste todo
deixo de não ser
porque tu és
Tu és
porque em ti
existe um sentido
e nesse sentido
que tudo é
Tu és
Eu não sou
Tu és o rumo de ti própria
Eu não sou!
Pedrobala
quarta-feira, novembro 17, 2010
Com o coração seguro e sem medo
Com o coração seguro e sem medo
vi distante de tanto imaginar
quem está ausente
Não posso entender este segredo:
de longe vendo
a substância que se encontra na forma gasosa
a uma temperatura inferior à temperatura crítica
e ela
podendo ser reduzida ao estado líquido
por aumento da pressão.
Vapor
Navio movido por máquinas
e de longe…. dá o sinal da minha infância
Sem rio ou porto de mar onde deitar-se
o Vapor partiu…
Fez vrummmm….
A Lua ficou.
Pedrobala
vi distante de tanto imaginar
quem está ausente
Não posso entender este segredo:
de longe vendo
a substância que se encontra na forma gasosa
a uma temperatura inferior à temperatura crítica
e ela
podendo ser reduzida ao estado líquido
por aumento da pressão.
Vapor
Navio movido por máquinas
e de longe…. dá o sinal da minha infância
Sem rio ou porto de mar onde deitar-se
o Vapor partiu…
Fez vrummmm….
A Lua ficou.
Pedrobala
sexta-feira, outubro 08, 2010
Para Tia Alda Lopes da Silva
"Como quem ouve uma melodia muito triste, recordo a casinha em que nasci, no Caleijão." - Chiquinho, Baltazar Lopes da Silva.
"Casa
Antiga velha casa da Passagem
com sobrado e com quintal e alta escada...
Que sombras te navegam nesta hora
de súbitas saudades em viagem?
Oh! Vila da Ribeira Brava, Caboverde." - Ladeira Grande, Gabriel Mariano
Minha Querida Tia
Os anos passam...
e nós?
Raros os momentos juntos
Resguardo na memória esses efémeros tempos
e permaneço atento à química dos meus pés.
Minha Tia, não estarei contigo
neste dia em que o mundo te viu pela primeira vez
(não se diz a idade de uma mulher).
Sabes Titia, o vento anunciou e disse:
Aniversário.
Dizem dos cem.
Respondi: número cardinal ou natural
Ele disse: não tem ordem de série.
Pois bem,
ouvi o som da lira
e os pássaros
estáticos ficaram no céu
o coqueiro curvou-se.
Hoje é dia de festa
Que o corpo e o sangue de Cristo,
O operário,
Estejam presentes neste pão e neste copo de vinho
E assim permanencendo
E aguentando as batidas de furiosos ventos
Sejam o som do violão.
Feliz aniversário Titia, viva bolo e vinho.
João Mariano
"Casa
Antiga velha casa da Passagem
com sobrado e com quintal e alta escada...
Que sombras te navegam nesta hora
de súbitas saudades em viagem?
Oh! Vila da Ribeira Brava, Caboverde." - Ladeira Grande, Gabriel Mariano
Minha Querida Tia
Os anos passam...
e nós?
Raros os momentos juntos
Resguardo na memória esses efémeros tempos
e permaneço atento à química dos meus pés.
Minha Tia, não estarei contigo
neste dia em que o mundo te viu pela primeira vez
(não se diz a idade de uma mulher).
Sabes Titia, o vento anunciou e disse:
Aniversário.
Dizem dos cem.
Respondi: número cardinal ou natural
Ele disse: não tem ordem de série.
Pois bem,
ouvi o som da lira
e os pássaros
estáticos ficaram no céu
o coqueiro curvou-se.
Hoje é dia de festa
Que o corpo e o sangue de Cristo,
O operário,
Estejam presentes neste pão e neste copo de vinho
E assim permanencendo
E aguentando as batidas de furiosos ventos
Sejam o som do violão.
Feliz aniversário Titia, viva bolo e vinho.
João Mariano
terça-feira, setembro 07, 2010
Eram seis da manhã em ponto
Eram seis da manhã em ponto
Quando de ti surgiu
O mergulho nas cálidas águas da Laginha
Longe o teu cabelo trouxe cheiro a mar
Pontche, canela e tumbarin
Na mochila de quem viaja
Na terra, redonda, longinquamente
Luas e luínhas
Com ondas e sem amargura
No dia da independência
Na certa certeza dançaremos.
João Mariano
Quando de ti surgiu
O mergulho nas cálidas águas da Laginha
Longe o teu cabelo trouxe cheiro a mar
Pontche, canela e tumbarin
Na mochila de quem viaja
Na terra, redonda, longinquamente
Luas e luínhas
Com ondas e sem amargura
No dia da independência
Na certa certeza dançaremos.
João Mariano
quinta-feira, agosto 19, 2010
dom salvador (I)
Ainda a madrugada riscava o céu
quando D. salvador
envolto por denso nevoeiro sebastiânico
chegou.
Acredita ser cavaleiro andante
mas não transporta em si
os sonhos de lutar contra moinhos de vento e gigantes
não tem uma Dulcineia,
uma musa, uma inspiração
na escalada de montanhas
na travessia de desertos
ou no cruzar dos mares.
Sem calor e sem amor
vive na escuridão
rasga o vento e o tempo
com pesadelos e delírios
perde o juízo
entende ser o salvador
da república verbal
herdeiro da caixa de Pandora.
Sem moral e sem pudor
nesta intensa verborreia
despreza a memória de seu pai
e corrói o cordão umbilical.
Eis a antítese de D. Quixote!
D. salvador de tez pálida
tronco curvado
falando rispidamente
ou de sorriso sem nexo
ou chorando a vida
perdida que não soube viver
inferno do qual não se liberta
revelando a intolerância dos falsos profetas.
Como águia devoradora do imortal e regenerador fígado
o seu tormento prolonga-se.
Quem o salvará? Sabará?
dom salvador (II)
D. salvador regressou novamente
Novamente regressou a tragédia em pessoa
Trouxe com ele a grande inércia
Palmas para D. salvador
Palmas pela sua pestilenta contribuição
Palmas pela sua repugnante forma
em causar desgraça à vida alheia
O público que fique de pé
Aplauda copiosamente e com ânimo
aquele que, com soberba ridícula
vocifera do fundo da sua cova:
Eu construí! Eu destruí!
Que a Lua se apague
Que as Estrelas se escondam
Excepto o Sol
O grande astro
Iluminará o umbigo de D. salvador
O magnata obsessivo-paranóico da demolição.
Palmas, D. salvador regressou novamente!
Ainda a madrugada riscava o céu
quando D. salvador
envolto por denso nevoeiro sebastiânico
chegou.
Acredita ser cavaleiro andante
mas não transporta em si
os sonhos de lutar contra moinhos de vento e gigantes
não tem uma Dulcineia,
uma musa, uma inspiração
na escalada de montanhas
na travessia de desertos
ou no cruzar dos mares.
Sem calor e sem amor
vive na escuridão
rasga o vento e o tempo
com pesadelos e delírios
perde o juízo
entende ser o salvador
da república verbal
herdeiro da caixa de Pandora.
Sem moral e sem pudor
nesta intensa verborreia
despreza a memória de seu pai
e corrói o cordão umbilical.
Eis a antítese de D. Quixote!
D. salvador de tez pálida
tronco curvado
falando rispidamente
ou de sorriso sem nexo
ou chorando a vida
perdida que não soube viver
inferno do qual não se liberta
revelando a intolerância dos falsos profetas.
Como águia devoradora do imortal e regenerador fígado
o seu tormento prolonga-se.
Quem o salvará? Sabará?
dom salvador (II)
D. salvador regressou novamente
Novamente regressou a tragédia em pessoa
Trouxe com ele a grande inércia
Palmas para D. salvador
Palmas pela sua pestilenta contribuição
Palmas pela sua repugnante forma
em causar desgraça à vida alheia
O público que fique de pé
Aplauda copiosamente e com ânimo
aquele que, com soberba ridícula
vocifera do fundo da sua cova:
Eu construí! Eu destruí!
Que a Lua se apague
Que as Estrelas se escondam
Excepto o Sol
O grande astro
Iluminará o umbigo de D. salvador
O magnata obsessivo-paranóico da demolição.
Palmas, D. salvador regressou novamente!
quarta-feira, agosto 04, 2010
Cinza + eiro
Para o meu querido cinzeiro
Neste final do mês de Julho
solarengo e quente
encontrei um cinzeiro
Não tinha beatas
Nem cinzas
Não tinha, elegantemente,
um cigarro acesso na sua ourela.
Continha só e apenas
uma chave, agrafos
e alguns pedaços de papel em branco!
O meu peito de espanto se apartou
de tão vil uso
porque neste covil
Meu cinzeiro não viverá.
João Mariano
Neste final do mês de Julho
solarengo e quente
encontrei um cinzeiro
Não tinha beatas
Nem cinzas
Não tinha, elegantemente,
um cigarro acesso na sua ourela.
Continha só e apenas
uma chave, agrafos
e alguns pedaços de papel em branco!
O meu peito de espanto se apartou
de tão vil uso
porque neste covil
Meu cinzeiro não viverá.
João Mariano
sexta-feira, maio 14, 2010
Que olhos são estes que vêem o povo
“E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombos:
- E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa da oração – mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.” – S. Mateus, 12.
“Naqueles dias, havendo mui grande multidão, e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse-lhes:
- Tenho compaixão da multidão, porque há três dias que estão comigo, e não têm que comer.” – S. Marcos, 8,2.
Eis o homem! Não tenho interesse se Deus que sabe tudo, todo-poderoso e que está ao mesmo tempo em toda a parte, existe. Em mim, partiu, de saco às costas, em viagem, e esqueceu a sua má-criação ou sofrerá de demência. Certo seria, o homem, cujo nome é Jesus ou Joschua, descer à terra e dar com pau em todos os santuários que façam negócio de supostas imagens imaculadas. Afinal quem é o Criador? Santa Bárbara? Vénus? S. Jorge? Apolo? S. Chiquinho?
Oiçam o bezerro de ouro: “Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, ajuntou-se o povo a Aarão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós: porque, quanto a este Moisés, este homem que nos tirou da terra do Egipto, não sabemos o que lhe sucedeu (....)
E Aarão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro que estão nas orelhas das vossas mulheres, e dos vossos filhos, e das vossas filhas, e trazei-mos (…)
E ele os tomou das suas mãos, e formou o ouro com um buril (cinzel), e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egipto.”
Quantos bezerros de ouro tem Fátima? E outros quantos a cidade-estado do Vaticano, monarquia absoluta? Moisés ao quebrar as tábuas do testemunho não atingiu Aarão. O bezerro de pé contínua e Jesus não irá no meio do povo, justo seria, enviar a sua espada e mostrar a sua glória, a nossa glória, a glória de um povo trabalhador e merecedor do chão que pisa. Dito de outra forma: a cristianização da acção directa, concretizada pela humanização, pela abordagem dos problemas concretos dos seres humanos…, a especulação, os cambistas, a defesa intransigente do suor de quem trabalha.
Terra das Amendoeiras, 14 de Maio de 2010, partida do Papa da cidade do Porto.
João Mariano
- E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa da oração – mas vós a tendes convertido em covil de ladrões.” – S. Mateus, 12.
“Naqueles dias, havendo mui grande multidão, e não tendo que comer, Jesus chamou a si os seus discípulos, e disse-lhes:
- Tenho compaixão da multidão, porque há três dias que estão comigo, e não têm que comer.” – S. Marcos, 8,2.
Eis o homem! Não tenho interesse se Deus que sabe tudo, todo-poderoso e que está ao mesmo tempo em toda a parte, existe. Em mim, partiu, de saco às costas, em viagem, e esqueceu a sua má-criação ou sofrerá de demência. Certo seria, o homem, cujo nome é Jesus ou Joschua, descer à terra e dar com pau em todos os santuários que façam negócio de supostas imagens imaculadas. Afinal quem é o Criador? Santa Bárbara? Vénus? S. Jorge? Apolo? S. Chiquinho?
Oiçam o bezerro de ouro: “Mas, vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, ajuntou-se o povo a Aarão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós: porque, quanto a este Moisés, este homem que nos tirou da terra do Egipto, não sabemos o que lhe sucedeu (....)
E Aarão lhes disse: Arrancai os pendentes de ouro que estão nas orelhas das vossas mulheres, e dos vossos filhos, e das vossas filhas, e trazei-mos (…)
E ele os tomou das suas mãos, e formou o ouro com um buril (cinzel), e fez dele um bezerro de fundição. Então disseram: Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram da terra do Egipto.”
Quantos bezerros de ouro tem Fátima? E outros quantos a cidade-estado do Vaticano, monarquia absoluta? Moisés ao quebrar as tábuas do testemunho não atingiu Aarão. O bezerro de pé contínua e Jesus não irá no meio do povo, justo seria, enviar a sua espada e mostrar a sua glória, a nossa glória, a glória de um povo trabalhador e merecedor do chão que pisa. Dito de outra forma: a cristianização da acção directa, concretizada pela humanização, pela abordagem dos problemas concretos dos seres humanos…, a especulação, os cambistas, a defesa intransigente do suor de quem trabalha.
Terra das Amendoeiras, 14 de Maio de 2010, partida do Papa da cidade do Porto.
João Mariano
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